terça-feira, 22 de setembro de 2015

Exortação

"E a viagem prosseguiu mais lenta, mais arrastada, num silêncio grande. "
-Graciliano Ramos



Sou devagar. Sou de sumir, de ponderar bastante. Nem sempre fui assim.  Mas quem é e continua sendo sempre?  Tenho em mim movimentos alheios a minha própria vontade.  Não sei o porquê de ainda tentar me explicar neste espaço das letras, visto que a linguagem jamais dará conta da experiência humana. Vai ver o que procuro não é o entendimento e nem a certeza. Vai ver o que eu procuro deve ser aquela coisa que a Clarice chama de "it" em Água Viva. Para os que não sabem, o sintetizo como uma espécie de iluminação. Pronto! É isso! Quero achar a iluminação através das palavras. O momento exato de clarividência atrás de todo verso e prosa. Desconfio que ninguém atinge isso, ou ao menos chega perto, em outro lugar. Não quero me assemelhar a outros escritores, nem quero agora falar do que eu estou sentindo, porque isso não faz diferença. Quero a tentativa de descobrir nesse lugar a minha existência. Quero profundidade. Quero que ele seja o colo que me faz descansar do peso do mundo por alguns instantes. A vida, que muitas vezes é representada metaforicamente como "viagem", se apresenta e imprime em nós o tom do tempo e das suas estações nessa translação louca de palavras subjetivas. A minha primavera de 2015 é assim, seca, caminhando lentamente para um verão que aparentemente não tem tons ainda. Ela diz pouco a que veio e me emudece, quando tento dizer da dor. Então penso que é melhor não dizê-la e continuar em silêncio com a cabeça recostada.

3 comentários:

  1. Você, princesa rara, dá toda e qualquer tonalidade a toda e qualquer estação. Você e a própria cor e tem um brilho raro e específico que transforma a tudo e todos que toca. Recoste/ sim a sua cabeça e descanse. No silêncio de fora estará toda a resposta, porque lhe permitirá ouvir as grandes melodias que moram em ti.

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