Ocupada com deveres domésticos, arrumava minha cabeceira cômoda no quarto. Abrindo uma das gavetas da mobília, um álbum prendeu-me a atenção. Dei a rememora aquelas imagens, quando estarreci, ao achá-lo em meio aquele emaranhado de recordações. Cavou-se um buraco no fundo da alma, revolvendo tudo que achava inerte. Na fotografia, nós regozijávamos. Os seus olhos pareciam falar de coisas, que acredito, belas de serem ouvidas. A lembrança veio tão clara que já nem sei se ejetei esse sentimento bonito que que nossos bem dispostos rostos imprimem. Também duvido se ainda te amo. Estou confusa com tal revelação. Então escuto a voz do narrador dizer-me, cortando o vasto silêncio:
- Maria, você foi muito amada!
Monique Neiva
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