Para A.
Há tempestades violentas sobre o mar revolto, podendo os ventos profaná-lo em brisa leve, mas já não podem a calmaria das ondas solitárias, buscando de dentro, na profundeza da maré, seu gemido mais sincero, seu Getsêmani mais cálido, que bordam torrentes de mistério e singela mudez e morangos mofados d'água e sólidos versos líquidos e gigantescos mesmos abismos, que se ampliam quando aves mergulham em afetos rasos, rasgando o tecido que vai de encontro ao espelho de céu, ancorando o desterro do revoltoso, circulando a trajetória em contínua errância maritimada, com o par de peixes em brasa de excessos de ciúmes de desejos de dúvidas desconfiançadas, ao perceber que mais um mar é demais pra amar, sem pontos
Monique Neiva
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